terça-feira, 29 de março de 2011

Você não pode perder

Voltei

Estamos reativando esse espaço para que todos possam ter mais uma ferramenta de comunicação conosco, além de mais um canal trocas entre os que fazem parte dessa imensa família, que só cresce a cada dia.

O texto abaixo foi encontrado na Net. A autora (Mari) de identidade desconhecida, faz uma análise a partir da sua ótica da Lumiar e dos acontecimentos.

O texto é um pouco longo mas vale a pena Ler.


Ao analisar a conjuntura atual do movimento de quadrilha na cidade do Recife e RMR, acabo me deparando com um quadro deveras triste e em alguns momentos estarrecedor. Fico me questionando como um movimento com a força que tem as quadrilhas juninas de Pernambuco não consegue passar da fase do amadorismo. Falo isso no sentido de posicionamento e comportamento.
O que percebo é que à medida que o movimento cresceu, conquistou visibilidade, e em algumas poucas entidades até respeito, começou um processo inverso dentro dos grupos.
A Lumiar foi uma das responsáveis pela explosão do movimento na década passada, primeiro pelos seus espetáculos verticais bem projetados e cenicamente superiores aos modelos anteriores, mudou de drasticamente a plástica, mas consegui o feito de não deturpar a estética do brinquedo Quadrilha Junina. Politicamente sua participação não é menos importante, tendo como seu líder um dos idealizadores e primeiro presidente da FEQUAJUPE (Federação das Quadrilhas Juninas de Pernambuco) Fabio Andrade. Aquela equipe, na época almejava unir os grupos em um coro homogêneo, com a voz e posicionamento que o movimento necessitava para se fazer ver e ouvir.
Mas daquela intenção pouco restou, pois o brinquedo cresceu em proporção, mas diminuiu em ideologia, e o que vemos hoje é uma verdadeira guerra desenfreada em busca de vitórias dentro dos arraiais e o que é mais grave: a sede em destruir o “inimigo” que deveria ser uma co-irmã, pois cada quadrilha que acaba é uma estrela que se apaga, é um decibel a menos no volume do grito por um movimento forte e com o lugar de destaque que a beleza dos espetáculos habilita as quadrilhas juninas a estar.
Voltando ao meu próprio ‘umbigo’... As vezes me pergunto como a Lumiar consegue suportar o fardo que carregamos há quase dez anos. Pois, se perder não é fácil, ganhar é duplamente difícil e manter-se entre as campeãs é uma tarefa dolorosa, cansativa, e em alguns momentos perturbadora. Claro que é muito bom ganhar.
O que tem acontecido é que muitos grupos seguindo uma metodologia quase suicida tem perseguido a Lumiar de forma equivocada, não o grupo Lumiar, mas a essência Lumiar.
Lumiar é Luz e luz é natureza, não se fabrica. No máximo se manipula. O que eu quero dizer com isso? Que muitos quadrilheiros pagam peso de ouro para ter em seu casting componentes que aprenderam conosco, mesmo que para isso ele recorra ao erro de subestimar e menosprezar o componente que sempre esteve lá. Tratam os ‘ex-lumiar’ como estrelas (que são) e crêem que assim serão tão ou mais fortes que a Lumiar. Um engano, pois a força de um grupo vem da sua política, e da sua direção, energia é um processo de dentro pra fora nunca é ao inverso. Nós sempre buscamos valorizar as nossas “pratas de casa” porque valorização é pensar no bem estar do companheiro, é buscar tratar com igualdade desde o recém ingresso até o fundador. É dar todos os direitos e cobrar indiscriminadamente os deveres de cada um. A Lumiar mudou e toda mudança gera resistência dos que não estão preparados para evoluir, e isso impõe uma dificuldade incrível sobre os agentes dessa mudança, mas como navegar é preciso, não desistiremos até implantar em nosso grupo uma nova roupagem, mais leve descontraída.
Será que essas mudanças não refletirão diretamente no resultado dos festivais? Certamente que sim. Se essa mudança será positiva ou não só o tempo poderá dizer, o que posso garantir é que para nós a primeira colocação é meta, ambição e vontade, mas não resume nosso trabalho. A satisfação de fazer o que gostamos e estamos a fim tem sido um norte para nós, se isso nos trouxer mais títulos ficaremos extremamente felizes, além da felicidade de sabermos que contribuímos de forma impar para o crescimento do movimento no passado, além da manutenção dele no presente, através dos nossos espetáculos e com os nossos ‘filhos’ que outrora formados no que chamamos de Faculdade Lumiar hoje trabalham em outros grupos sempre buscando o nível de qualidade com que estão acostumas a encontrar em nossa casa. Apesar da falta de maturidade de algumas de nossas ‘crias’ não tem como negar o que é latente, hoje todo mundo tem um pouco de nós e isso nos dá cada dia mais vontade do novo, não por medo de sermos engolidos por nós, mas pela responsabilidade que as circunstâncias nos impuseram. Responsabilidade essa de ser o grupo que está sempre mudando a própria plástica, servindo de modelo as outras além de revelar as ditas estrelas do São João para que outros grupos possam um dia desfrutar do privilégio de ter um trabalho que as pessoas olhem e digam: Parece a Lumiar.
Por que é em busca desse reconhecimento que “donos” de quadrilhas oferecem posições de destaque, figurino, alojamento, e pasmem até festas regadas a muito álcool e sabe Deus mais o quê para ter componentes que tenham sua imagem ligada a espetáculos campeões nossos. Geralmente os alvos desses ataques são pessoas de baixa auto-estima que não conseguiram realizações pessoais e se sentem mal tratadas na Lumiar por serem tratados como os demais componentes uma vez que se vêem (erroneamente) como estrelas. Acontece que aqui ninguém brilha só, o Brilho é do grupo, não precisamos de salvadores da pátria e sim de gente a fim de brincar sem a intenção de derrubar que quer que seja. Vitória é conseqüência, e com essa filosofia é que temos um currículo invejável e invejado por muita gente. Eu fico me perguntando como se sentem os antigos componentes desses grupos sendo preteridos em relações a pessoas que até outro dia vestiam a camisa da Lumiar e estão agora tomando o lugar deles para alimentar seu ego e o ego do tal dono da quadrilha. Será que vale tudo para ser campeão da Globo ou Pernambucano? Será que o risco de perder a própria identidade não amedronta essas pessoas?
Posso me parecer soberba e egocêntrica nas minhas colocações, mas estou analisando apenas a minha “casa” não o movimento como um todo, pois claro existem outras quadrilhas de primeira grandeza em espetáculos e postura dentro e fora do arraial, não citarei nomes pois, certamente seria injusto com alguém.
Encerro dizendo que a Lumiar é Campeã por sua história, por ter uma quantidade de títulos incontestáveis, pelas já citadas contribuições ao crescimento do movimento, pelo reconhecimento do publico dentro e fora do estado, e pelo reconhecimento das quadrilhas, afinal a valorização e veneração que nossos componentes causam em alguns grupos é a prova de que bem no fundo o que eles querem mesmo é ser nós, não como nós, mas nós mesmos, é aquela coisa: “vamos tirar todo mundo de lá custe o que custar, assim ela se acaba e eu viro ela”.
Sabe quando vão conseguir? Nunca! Já Porque nossa força vai além do resultado do festival, nossa magia não se conquista com ex, a Lumiar é atual e só é Lumiar quem é atual.